Estudo IPAM revela motivos de abstenção entre os jovens nas Presidenciais
13 março 2026
Ler maisO estudo “Participação eleitoral e abstenção entre os jovens em Portugal” analisou a participação de 694 jovens com idades entre os 18 e os 24 anos, entre 10 e 25 de fevereiro de 2026.
Segundo os resultados, 86,6% afirmaram ter votado nas presidenciais, enquanto 13,4% se abstiveram. Mais do que a taxa de participação, a investigação procurou identificar os fatores que diferenciam votantes e abstencionistas.
Entre os jovens que votaram, 68,2% dizem interessar-se por política, contra apenas 36,6% dos abstencionistas. A confiança nas instituições também apresenta diferenças significativas: 31,8% dos votantes afirmam confiar nos órgãos políticos, frente a 10,8% dos que não votaram. A perceção de relevância da política para a vida quotidiana surge como outro fator determinante, sendo partilhada por 72,7% dos votantes e apenas 44,1% dos abstencionistas.
O estudo indica ainda que a preferência por modelos digitais de votação e a falta de identificação com os candidatos são fatores centrais na abstenção. Entre os que não votaram, 60,2% afirmam que participariam mais se fosse possível votar online, e 54,8% dizem não se identificar com nenhum candidato. Quase metade (48,4%) refere ter tido outras prioridades, como trabalho ou estudos. A desconfiança em partidos e políticos é apontada por 44,1% dos abstencionistas, enquanto 43,0% consideram que os políticos não se preocupam com os problemas dos jovens. Em contraste, apenas 16,1% indicaram dificuldades logísticas, como transporte ou horários, como motivo para não votar.
Segundo os investigadores, a prioridade atribuída ao voto é o fator com maior impacto na decisão de não participar. Outros elementos relevantes incluem a perceção de afastamento geracional, a desconfiança institucional e a falta de informação clara sobre os candidatos.