Sustentabilidade empresarial: muito mais do que uma tendência
26 dezembro 2025
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Blockchain é uma tecnologia de registo digital descentralizado que permite armazenar e validar dados de forma segura, sem depender de uma entidade central. Funciona através de uma rede distribuída que organiza a informação em blocos ligados por criptografia, garantindo integridade e rastreabilidade.
Embora tenha ganho notoriedade com as criptomoedas, o blockchain é hoje utilizado em áreas como finanças, logística, identidade digital e serviços públicos.
Este artigo explica como funciona a tecnologia blockchain, como se distingue das bases de dados tradicionais e quais são as suas principais aplicações nos mercados nacional e internacional.
O blockchain opera através de blocos interligados, validados por uma rede descentralizada de computadores que garante a integridade dos dados. O seu funcionamento pode ser compreendido em três níveis: estrutura técnica, cadeia criptográfica e rede distribuída.
Cada bloco contém:
Os blocos estão ligados entre si por referência criptográfica ao bloco anterior, formando uma cadeia cronológica e linear.
Isto garante:
O blockchain não está armazenado num único servidor. É mantido por uma rede de nós (nodes) distribuídos.
Cada nó:
Para que um novo bloco seja adicionado à cadeia, a rede tem de validar a sua legitimidade. Este processo chama-se mecanismo de consenso.
Os principais modelos incluem:
Utilizado pelo Bitcoin. Os nós competem para resolver problemas matemáticos complexos. O primeiro a resolver valida o bloco e recebe uma recompensa.
Adotado pelo Ethereum 2.0. A validação depende da quantidade de ativos que cada participante mantém em staking.
Algumas redes empresariais utilizam variantes de Byzantine Fault Tolerance (BFT), mais adequadas a ambientes privados ou de consórcio, em que os participantes são conhecidos.
Num sistema de rastreabilidade alimentar, cada etapa da cadeia logística gera uma transação:
Cada conjunto de registos é agrupado num bloco com um timestamp e um hash próprios. A rede valida o bloco através de consenso e liga-o ao bloco anterior.
Se alguém tentasse alterar a informação sobre a origem ou a qualidade do produto, essa alteração seria imediatamente detetável, pois o hash deixaria de coincidir com os registos distribuídos.
Uma base de dados tradicional é normalmente centralizada, ou seja, existe um administrador com controlo sobre a leitura, a escrita e a alteração da informação.
O blockchain diferencia-se das bases de dados tradicionais sobretudo na forma como a informação é gerida e validada:
Isto não significa que o blockchain substitui todas as bases de dados. Em muitos casos, funciona como complemento estratégico, sobretudo quando é necessário assegurar a autenticidade ou a rastreabilidade.
O Bitcoin foi a primeira aplicação de larga escala da tecnologia blockchain, mas o seu potencial vai muito além das moedas digitais.
Atualmente, as organizações utilizam o blockchain para:
O foco passou do ativo financeiro para a infraestrutura tecnológica que sustenta processos digitais mais eficientes.
Permite transferências internacionais mais rápidas, a criação de ativos digitais e a tokenização de instrumentos financeiros. A regulamentação europeia, como o enquadramento MiCA (Markets in Crypto-Assets), tem estruturado este mercado.
São programas que executam automaticamente condições predefinidas (por exemplo, libertar um pagamento quando uma entrega é confirmada).
Garante a rastreabilidade de produtos, reduz fraudes e melhora a gestão de inventário.
Permite validar diplomas, certificados e credenciais profissionais sem risco de falsificação.
Representam ativos digitais únicos. São utilizados em arte digital, bilhética, programas de fidelização e propriedade intelectual.
Apoia sistemas de gestão de dados clínicos com maior segurança e controlo de acesso.
Projetos europeus, como a EBSI (infraestrutura europeia de serviços de cadeia de blocos), demonstram interesse institucional em empregar o blockchain em serviços públicos digitais.
Consiste na representação digital de ativos físicos ou financeiros. Pode aumentar a liquidez e facilitar transações fracionadas.
Eis os principais tipos de blockchain atualmente utilizados no mercado:
A escolha depende do nível de descentralização, confidencialidade e regulamentação exigidos.
Portugal tem vindo a consolidar a sua posição no panorama europeu da inovação blockchain, combinando investimento público, enquadramento regulatório estruturado e dinamismo empreendedor.
A iniciativa Blockchain.PT integra o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com um investimento de cerca de 59 milhões de euros, financiado pelo programa europeu NextGenerationEU.
O objetivo é posicionar Portugal como referência europeia na adoção e no desenvolvimento de soluções de blockchain. A agenda prevê o desenvolvimento de 26 produtos exportáveis, com aplicação em áreas como:
Este investimento demonstra que o blockchain é considerado uma tecnologia estratégica para a competitividade internacional.
Portugal integra o enquadramento europeu definido pelo regulamento MiCA, que estabelece regras harmonizadas para criptoativos na União Europeia.
O Banco de Portugal desempenha um papel central na supervisão de entidades que operam com ativos virtuais, reforçando a segurança do mercado.
Além disso, o país tem promovido ambientes favoráveis à inovação, incluindo:
Este enquadramento tem contribuído para atrair projetos tecnológicos e investimentos internacionais.
O ecossistema nacional apresenta sinais de maturidade crescente. Estima-se que cerca de 22% das start-ups tecnológicas portuguesas integrem ou explorem soluções baseadas em blockchain.
De entre as empresas de referência, destacam-se as seguintes:
Lisboa tem ainda acolhido eventos internacionais relevantes, como o Blockchain Confluence e o Ethereum Lisbon, reforçando a visibilidade global do país no setor.
Portugal é frequentemente identificado como um dos países europeus com maior abertura à inovação digital, combinando talento tecnológico, enquadramento regulatório claro e capacidade de atrair investimento estrangeiro.
O posicionamento nacional no contexto do blockchain não se limita à experimentação, estando progressivamente orientado para a exportação de soluções tecnológicas e a integração em cadeias de valor internacionais.
Tal como supramencionado, o mercado blockchain apresenta crescimento consistente a nível global, impulsionado pelas digitalização financeira, tokenização de ativos e expansão do ecossistema Web3.
Há indicações de aumento da procura por profissionais especializados, especialmente em áreas técnicas, gerando oportunidades transversais em setores como finanças, tecnologia, logística, consultoria e inovação pública.
A escassez de talento especializado tem contribuído para níveis salariais competitivos, sobretudo em funções associadas ao desenvolvimento, à arquitetura de soluções descentralizadas e à gestão estratégica de ativos digitais.
O desenvolvimento de competências em blockchain exige uma combinação de dimensões técnicas, estratégicas e transversais.
A escolha de uma formação deve considerar vários critérios estruturais:
Para aprofundar estas competências, o IPAM disponibiliza programas que articulam tecnologia, estratégia e inovação empresarial, nomeadamente a Especialização em Web3, Blockchain e Inteligência Artificial (Lisboa e Porto): aborda a aplicação estratégica de Web3, blockchain e IA na inovação organizacional e no desenvolvimento de modelos descentralizados.
Esta formação permite desenvolver competências técnicas e estratégicas aplicadas à transformação digital e à inovação baseada em tecnologias descentralizadas.