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04/02/2022

Os futuros políticos são líderes de excelência


Associado ao conceito de liderança está a habilidade de motivar, inspirar e influenciar pessoas e comportamentos, destinados à concretização de objectivos comuns.

Com base neste princípio, não é difícil associá-lo à prática da atividade política, se a considerarmos como estando ideologicamente orientada, para alcançar determinados objetivos, através de um conjunto adequado de decisões, sempre direccionados para o bem comum.

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Em que medida podem então as competências de liderança ser uma variável importante no exercício da acção e decisão política?

Motivar, inspirar e influenciar são competências que florescem da qualidade dos valores intrínsecos dos seus protagonistas. Os valores deverão estar ligados a uma autenticidade genuína em fazer o melhor para e pelo bem comum, enquanto as competências podem e devem ser ampliadas e melhoradas ao longo do tempo.

Vivemos um tempo assíncrono, onde a impermanência e a imprevisibilidade provocam grandes oscilações nas empresas, na economia e no mundo político. Os verdadeiros políticos, estão a braços com a urgência de uma consciência bem desperta dos acontecimentos, e uma coragem firme em exercer o seu papel, ao serviço da comunidade nacional e não dos interesses pessoais ou partidários.

Foi Nelson Mandela, o grande líder que nunca desistiu, que inspirou e foi exemplo da Servant Leadership (Liderança ao Serviço), conceito criado nos anos 70 do século passado, por Robert K. Greenleaf, modelando um modelo de liderança usado há vários séculos.

Servant Leadership é um modelo de comportamento de liderança, cujo primeiro princípio é criar pontes, focado nas necessidades dos outros e não nas suas.
Como princípio ideológico, este será porventura, o que mais se adequa ao exercício da liderança política.

Até porque, os princípios pelos quais a política tem sido exercida, enfrentam um urgente e inevitável turning point, baseado numa estrutura que aborde a acção política de forma ajustada à mudança com que diariamente nos deparamos.
Tendo o conceito de Liderança ao Serviço como pano de fundo, associado a elevado potencial de implementação, indicam-se três princípios imprescindíveis ao desenvolvimento de quem é ou ambiciona ser político, e que ancoram a liderança política íntegra: princípios de visão; princípios de acção; princípios de liderança.

1. Princípios de visão:
Descobrir o seu propósito enquanto político.
Definir os fundamentos e orientação que sustentam o exercício dessa função.
Estabelecer as bases da acção e as métricas que conduzem a prática política, assim como a sua monitorização.

2. Princípios de acção:
Nenhum líder, como nenhum político é eficaz se não estiver num contínuo learning development, pronto para se questionar e colocar em questão, aprendendo novas competências adaptadas às mudanças e transformação do mundo.

A pandemia exige agilidade, flexibilidade, capacidade de antecipação, adaptação e de criar modelos colaborativos, competências que estão na base da resposta que as pessoas esperam dos políticos.

Uma vez estabelecidos estes alicerces, o exercício político baseado na Liderança ao Serviço, traduz-se num conjunto de acções comprometidas com o crescimento e florescimento humano, e com a capacitação do talento colectivo, alinhado numa vontade de empoderamento nacional, satisfatório e com objectivos claros e devidamente estruturados.

São as competências de liderança que fazem a diferença, quando adoptadas pelos novos políticos, os comprometidos com o exercício qualitativamente competente da sua função.

3. Princípios de liderança:
Liderar é uma arte ao serviço dos outros.
Sendo a exposição política aberta à comunidade, as competências destes líderes tornam-se facilmente visíveis e escrutináveis.

Os políticos não se podem mais esconder atrás de ideologias, mas precisam fazer do acto político uma renovação criativa, actual e adaptável à transformação do mundo e capaz de responder às angústias e necessidades das comunidades.

É por isso que as competências de liderança como a capacidade de inspirar, motivar, empoderar e influenciar pessoas, de forma genuína e autêntica, são o princípio criador de um mundo novo. Um líder político competente é capaz de criar engagement, bem-estar, reter e desenvolver talento, melhorando competências de desempenho, produtividade, criatividade e inovação.

Todos factores tão necessários ao progresso da economia e das sociedades.
Se os três princípios indicados acima, forem assumidos de forma inequívoca e postos em prática com consistência, numa dinâmica de melhoria constante, a liderança política será exercida com foco e autenticidade, comprometida com o florescimento e assegurando a construção de uma comunidade orientada para fins comuns, sustentáveis e respeitadores da vida e do planeta.

Por último, a liderança política requer a habilidade de conectar potenciais e pessoas, através de ideias adaptáveis a práticas transformadoras e inovadoras, que entreguem resultados consistentes e viáveis, às populações, à economia e ao ecossistema humano e planetário.

Não resta margem para dúvida da importância da missão da liderança política. O primeiro passo da sua eficácia, reside na coragem de ser um verdadeiro líder ao serviço das comunidades, em vez de um peão ao serviço ideológico. Unir competências de liderança à reflexão do papel de líder é um cocktail de resultados potencialmente satisfatórios para todos.

E, neste contexto, qual a probabilidade de ser reconhecido como um líder político de excelência, merecedor do apoio das pessoas?
 
Maria Júlia Nunes
 
 

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